O legal da Copa do Mundo é que surgem discussões e
comparações que vira âmbito mundial. Quem foi melhor que quem, quem ganhou
mais, quem ganhou Copa sozinho e muitas outras discussões e agora com as redes
sócias a discussão não só se resumi na mesa de bar.
Eu comecei a acompanhar Copa do Mundo a partir de 82, mas
sempre fui um apaixonado por Copas e tenho o DVD de todas as Copas além, é
claro, de revistas, reportagens e livros.
Sempre achei um parâmetro para comparações, embora ache
que a carreira clubista também de suma importância para comparações, mas na
Copa acho que estão sempre os melhores, mas devemos considerar que muitos não
contam com seleções de alto nível e muitos nunca foram em uma Copa.
Hoje com o a informação chegando na hora fica muito mais
fácil eleger alguém craque ou gênio, mas antigamente muitos bons jogadores
ficavam perdidos em seus países. Eu sou do tempo do Campeonato italiano
passando domingo de manhã na Bandeirantes e já nutria uma admiração pela
Holanda de Cruijff com sua camisa laranja logo essa paixão aumentou com o
grande Milan de Rijkaard, Gullit e Van Basten.
Nessas discussões surgem mitos e lendas que acaba virando
senso comum. Eu, por exemplo, por muitos anos não gostava da seleção alemã, por
causa da Hungria e Holanda, mas vendo a final de 1974, pude ver que a seleção
alemã era fantástica, com jogadores maravilhosos e um dos melhores goleiros em
Copa, Sepp Maier e por muitos era melhor que Lev Yashin, mas Maier com certeza
foi fundamental na conquista do bicampeonato alemão e nessa mesma Copa, de
1974, surgiu à Holanda e por muitos anos eu ouvi falar que a seleção brasileira
de 1970 tinha mudado a forma de jogar do mundo.
Não achei que a seleção brasileira de 70 tenha mudado a
forma de outras seleções jogarem porque os holandeses já obtinham um
tricampeonato europeu, com o Ajax, que foi a base da seleção holandesa de 74 e
muitas seleções tinham grandes craques, inclusive o Brasil, que perdeu para
Holanda.
O Brasil de 70 por muitos é eleita a melhor seleção de
todas as Copas, mas nos esquecemos da seleção de 58. Em comum só Pelé que jogou
as duas Copas, mas se formos compararmos podemos ver uma leve superioridade da
seleção de 58 por conta até de sua defesa. Do meio para frente as duas são
fantásticas, a de 58 tinha Didi, eleito o melhor da Copa, e Garrincha, eleito o
melhor da Copa de 62, mas a de 70 tinha Tostão que era o “falso” centroavante e
que podemos falar que leva uma vantagem sobre Vavá, mas lembrando que são de
estilos diferentes e Rivelino levando vantagem sobre Zagallo e Zito e Clodoaldo
podemos empatar. Na defesa temos uma grande superioridade porque uma linha com
Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos e bem melhor que a com
Felix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo, mas dá uma boa discussão.
A seleção de 82, tecnicamente, foi a melhor seleção que
vi jogar, mas ainda acho que se o Reinaldo e o Careca não tivessem machucado, a
seleção seria perfeita e poderia ter ganhado a Copa. Outra coisa que falam é
que a seleção de 82 mudou o futebol, outra coisa que não concordo porque em 86
Maradona foi mágico e ainda haviam seleções talentosas. Uma injustiça feita é
com a Itália quando dizem ser uma seleção fraca, o que não é verdade. A seleção
italiana era à base da Juventus, campeã europeia com mais alguns excelentes
jogadores. Falcão, para mim o melhor jogador daquela seleção brasileira, falou
que o Conti era fantástico e realmente era e só para lembra essa mesma seleção
italiana foi a grande surpresa da Copa de 1978 e Paolo Rossi foi escolhido para
seleção da Copa e em 82 essa seleção estava mais madura e apesar de um começo
muito ruim, eles fizeram um grande jogo contra a Argentina que era a atual
campeã mundial e que naquela Copa contava com Maradona.
Tem comentaristas, os mais antigos, que não gostam das
seleções brasileiras de 94 e 2002 e sempre que podem citam a seleção de 82
menosprezando, principalmente a de 94. Como disse a seleção, tecnicamente
melhor, foi a de 82, mas não podemos menosprezar a outras seleções e depois de
86, realmente o futebol perdeu muito tecnicamente, mas os craques sempre foram
fundamentais.
A seleção de 94 era bem montada e contava com Bebeto em
grande fase e Romário, para mim um dos melhores jogadores do mundo. Tinha um
grande goleiro, Taffarel, o melhor goleiro brasileiro que vi jogar, uma defesa
forte e um ataque mortal.
A seleção de 2002, muitos falam do gol anulado da Bélgica
e o jogo contra Turquia também, mas se esquecem de que na Copa de 62, contra a
Espanha, o Brasil perdia por 1 x 0 quando Nilton Santos fez um pênalti e ainda
teve um gol anulado de Puskas que ninguém sabe o que o juiz marcou e se o
Brasil perdesse aquele jogo nem passaria de fase; A seleção de 82 também foi beneficiada
com a arbitragem, pois contra União Soviética quando o Brasil perdia o jogo por
1 x o teve um pênalti cometido por Luizinho não marcado e outro gol anulado
incorretamente, portanto erros de arbitragem acontecem, mas falar que em 2002 a
história seria diferente com o gol da Bélgica devemos lembrar-nos desses erros
também apesar de que se o Brasil perdesse da União Soviética seria segundo
lugar do grupo e poderia ser campeão, pois não cairia no grupo da Itália.
Mesmo o Brasil sendo campeão dessa Copa, ou não, vai
haver comparações. Se perder vai ser comparada com a de 2006 que foi muito
badalada ou a de 2010 que era panelinha do Felipão, e lembrar que ele foi o
técnico de 2002, e se ganharmos vão falar que essa seleção é inferior que a de
82 e 70, mas pode se considerar superior a de 94 e de 2002.
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