Moro em Poços de Caldas num bairro chamado Cascatinha e muitos falam que lembram alguns bairros do Rio de Janeiro antigo, deve ser por causa das rodas de samba e pelos churrascos em beira da calçada.
Moro no bairro faz pouco tempo mas já morei perto e tenho alguns amigos no bairro. Sempre na sexta ao voltar para casa vejo começar a formar as rodas de sambas e os churrasquinhos mas nunca parei ou prestei atenção, da varanda do meu apartamento consigo escutar a batucada mas não dá para diferenciar as músicas.
Aqui no bairro sempre tem eventos, como bingos, e nesse fim de semana vi um cartaz interessante que dizia: 7º Feijão do Beca. Era na rua onde moro, achei interessante mas não imaginei o que seria isso.
Domingo chegou e nem lembrava do "Feijão do Beca", desci a rua com meus filhos para comprar um refrigerante para almoço e percebi a rua fechada e ao subir reparei que subiam muita gente comigo e bem acima de onde moro começou a juntar gente.
Fui tentar arrumar a casa e fiquei escutando os barulhos da rua, pareciam que estavam fazendo uma churrascada mas era o "Feijão do Beca" e de repente escutei alguém falar no microfone, acha que era alguém agradecendo a presença de todos e mas alguma coisa que não entendi direito, continuei a tentar arrumar a casa.
De repente começo a escutar a batucada e as conversas diminuiram para escutarem as músicas, para meu espanto começaram cantando "Aquarela do Brasil" música de Ary Barroso e foram emendando´sambas antigos e aquilo foi me trazendo uma nostalgia que corri para cozinha, pois da janela dava para ver a festa, e para não perder a arrumação comecei a lavar a louça e me deliciar com as músicas. Lembrei da feijoada da Portela que vão muitos artistas e uma feijoada no morro do Chapéu Mangueira que fui 2 vezes. Me emocionei quando eles tocaram "My way", eu tenho um vinil do Elvis com essa música.
Eles continuavam a tocar sambas antigos de Noel Rosa, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho, não pude não lembrar do Rio de Janeiro que cresci, no bairro do Meier e um tio tinha uma casa na Penha, onde estão acontecendo essa guerra.
Lembrei das histórias do meu pai, meu irmão e minhas mesmo de um tempo que tinha violência mas se vivia e principalmente se divertia. Ver o Rio de Janeiro do jeito que está me causa bastante tristeza. Lembro que meu pai sempre contou histórias de um Rio de Janeiro antigo e depois eu vivi histórias de um Rio de Janeiro e agora o que sobrou, como vou levar meus filhos para conhecerem o lugar que o pai deles foi criado e a cada música que tocavam via ainda mais minha adolescência, confesso que fiquei nostalgico e depois que a louça acabou tratei de arrumar a cozinha e fazer o almoço para não sair dali que na cozinha dava para escutar direitinho.
A noite vendo o Fantástico e as notícias do Rio contra o crime lembrei do "Feijão do Beca" e sorri por estar morando nesse bairro e semana que vem anunciaram um feijão tropeiro na quadro do bairro, uma boa oportunidade de levar meus filhos para quem sabe eles já terem suas histórias de um bairro que lembra um Rio de Janeiro que o pai deles viveu.