domingo, 5 de maio de 2013

Religião Urbana


Certa vez Herbert Viana, dos Paralamas do Sucesso, definiu o que era um show da Legião Urbana, a platéia entrava em transe, era uma Religião Urbana. Lembro quando escutei Renato Russo pela primeira vez e como era muito novo só me lembro da voz onipotente e poderosa. Em 1985 Legião lança seu primeiro LP e tive o prazer de comprar nessas lojas de disco que nem existe mais. Um tempo que não existia o Google e para conseguir informação sobre algo teria que correr atrás e um dos meus maiores passatempos na entrada da adolescência era passar as tardes nas lojas de disco para saber o que tinha de novo na música e num dia consegui comprar o primeiro LP da Legião Urbana.
Logo a primeira música que escuto é “Será” que me encanta de cara por sua poesia forte e impactante depois “Geração Coca-Cola”, “Ainda é cedo”, “Soldados”, “Por enquanto” e todas outras. Lembrando Herbert Viana, a Legião passou a ser Religião pois eles estavam em todos os lugares. Discotecas, festas, conversas entre amigos, luau e todas reuniões que tinham jovens presentes.
Escutar música da Legião Urbana agora é lembrar de um tempo que fazíamos parte de uma turma e o mais legal era saber que grupos como Legião, Capital e outros eram formado por uma turma igual a nossa. Uma turma tinha de tudo e se fazia de tudo, era praticamente fazer junto tudo que queríamos e podíamos, mas quando jovens achávamos que podíamos tudo e na verdade podíamos mesmo.
Ver o filme do Renato Russo é lembrar que minha adolescência, na ilha de Paquetá, foi maravilhosa e saber que nossas descobertas eram no ritmo da Legião Urbana, é impossível não ter uma música deles que você não tenha vivido. Cada música é uma história que qualquer um poderia ter vivido, num tempo que tínhamos turma mas turma mesmo, de andar o dia todo junto e não em frente ao computador. Era acordar, encontrar os amigos e combinar como seria o dia e tudo isso como trilha sonora, as poesias de Renato.
Falar que Renato é um mito para nossa geração é fácil, vivemos isso e muitos como eu, ao ver o filme se emocionará, lembrará de uma geração que não tinha  tempo perdido,  éramos selvagens, nós somos a Geração Coca-cola.